Economia angolana cresce 7,1%
A economia angolana deverá crescer 7,1% este ano e 8,3% em 2011, de acordo com as estimativas feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no seu World Economic Outlook relativo ao mês de Abril. A projecção do FMI para o ritmo de crescimento do produto interno bruto (PIB) nacional a médio prazo (2015) é mais moderada: 4,5%. O Fundo insiste em que o PIB angolano registou uma variação negativa no último ano (-0,4%) mas partilha uma perspectiva optimista quanto ao futuro a curto e médio prazo, classificando Angola como um “credor líquido” na análise que faz dos diferentes países quanto à sua posição face ao exterior.
O saldo da balança de transacções correntes em percentagem do PIB é francamente positivo no caso da economia angolana, registando uma variação de 3,6% no corrente ano e de 3,1% no próximo. Em 2015 cifrar-se-á em 2,8%, recuperando da quebra verificada no último ano (-3,3%) e contrastando com as projecções efectuadas para o conjunto da África subsariana (-1,7% em 2010, -2,0% em 2011 e -1,4% em 2015). Refira-se que também as economias mais avançadas irão registar, segundo o documento, variações negativas na evolução dos seus saldos correntes em percentagem do produto interno: -0,4%, -0,5% e -0,7% respectivamente em 2010, 2011 e 2015.
De acordo com as projecções do FMI o nível de preços no consumidor, ou seja, a inflação média aferida em termos anuais, atingirá, no nosso país, os 15% este ano, recuando em 2011 para os 9,8%.
No seu todo, a economia mundial irá crescer 4,25% em 2010 e 2011, estimativa que traduz uma clara recuperação face à quebra de 0,5% registada em 2010. “A retoma global superou as expectativas, refere o World Economic Outlook, embora revista diferentes velocidades – mostra-se ainda tépida em muitas economias avançadas mas afigura-se sólida na maior parte das economias emergentes”. Na verdade, apesar de as chamadas economias mais desenvolvidas darem sinais de recuperação da quebra de 3% no seu produto registada em 2009, o certo é que, segundo as estimativas do FMI, irão crescer a um ritmo que fica muito aquém daquele que é esperado para a economia global: 2,25% este ano e 2,5% no próximo. O FMI reconhece que as medidas assumidas pelos governos, designadamente os estímulos fiscais e as políticas monetárias fortemente expansionistas, foram essenciais para o arranque da recuperação e que, entre as designadas economias avançadas, os Estados Unidos se encontram numa posição mais favorável que a Europa e o Japão, mas chama a atenção para o facto de o acesso ao financiamento ser agora mais difícil que antes de a crise irromper e adverte que os défices excessivos gerados e a ausência de estratégias de consolidação orçamental claras a médio e longo prazo pode criar sérios embaraços aos custos de financiamento tanto nas economias desenvolvidas como nos mercados emergentes.
O FMI considera que a África subsariana, mau grado as principais economias exportadoras de commodities, nomeadamente petróleo, como é o caso de Angola, terem sido severamente atingidas pela forte contracção da procura internacional, “resistiu bem à crise global”, logrando mesmo atingir, no seu conjunto, um crescimento de 2% no último ano, pelo que a recuperação deverá revestir um ritmo superior ao verificado no passado, quando teve de recuperar de fases recessivas na economia mundial.
A África subsariana, no seu conjunto, deverá averbar, segundo o documento, um crescimento de 4,7% no corrente ano e atingir os 5,9% em 2011. No que toca, em particular, aos países exportadores de petróleo, cujos superavits orçamentais foram duramente afectados pela quebra dos preços da matéria-prima, apesar do desempenho dos respectivos sectores não-petrolíferos ter contribuído, significativamente, para amortecer o impacto da quebra verificada nas receitas das exportações, a recuperação dos preços do “ouro negro” e a forte procura mundial da commodity vai elevar o crescimento das respectivas economias a 6% em 2010 e a 7% em 2011.
Mas há riscos. Os quais resultam, acima de tudo, da situação em que se encontram e do desempenho previsto para as economias mais avançadas. O FMI destaca três: o efeito negativo que um aumento exagerado do preço da energia poderá ter sobre o crescimento dos países importadores e os respectivos níveis de inflação, uma redução das ajudas bilaterais aos países que integram a África subsariana, que apesar de tudo, se mantiveram estáveis durante a recessão, poderá agora vir a verificar-se face à quebra registada nas economias doadoras e, finalmente, a instabilidade política que afecta alguns países da África Ocidental poderá contaminar outras economias da região.
O FMI regista como muito positiva a adopção de políticas orçamentais anti-cíclicas pelos países da região durante a recessão, ao contrário do que sucedera no passado, mas vai avisando que se entra agora numa nova fase, marcada pela recuperação, que exige a substituição do objectivo de curto prazo virado para a estabilização pela adopção de uma perspectiva de médio e longo prazo que conceda a prioridade ao desenvolvimento económico, nomeadamente no que respeita à construção de infra-estruturas e à despesa a efectuar nas áreas da saúde e da educação.
Luis Faria