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Lei Magna em apreciação no Tribunal Constitucional
O Tribunal Constitucional vai, nos próximos dias, pronunciar-se sobre a nova Constituição da República de Angola, aprovada dia 21 de Janeiro pela Assembleia Nacional. O documento foi remetido no mesmo dia ao Tribunal Constitucional para apreciação e parecer. O presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, disse que só depois do parecer do Tribunal Constitucional sobre a conformidade do texto com os princípios estabelecidos pela Lei Constitucional em vigor é que a nova Lei Fundamental é assinada pelo líder do Parlamento e promulgada pelo Presidente da República. “Se houver algum pedido de alteração dos processos aprovados, voltaremos aqui para rectificar e aprovar o que for alterado”, esclareceu Fernando da Piedade Dias dos Santos, recordando que a Constituição aprovada reflecte o “profundo empenho de todas as forças políticas representadas na Assembleia Nacional e expressa, igualmente, as aspirações do povo angolano que em Setembro de 2008 votou massivamente para legitimar o acto”. A expectativa quanto ao pronunciamento do Tribunal Constitucional também foi expressa pelo presidente da Comissão Constitucional, órgão encarregado pela Assembleia Nacional para elaborar o projecto da Constituição.“Vamos aguardar por uma decisão do Tribunal Constitucional, que de uma maneira geral é obrigatória e inapelável”, afirmou Bornito de Sousa durante uma conferência de imprensa, após a votação do documento. Para elaboração do ante-projecto que deu origem ao projecto final da Constituição, a Assembleia Nacional recebeu várias propostas provenientes dos partidos políticos e coligação de partidos nela representados e de outras formações políticas, da sociedade civil, de especialistas, de cidadão e de organizações corporativas. A nova Constituição foi elaborada por uma equipa de 60 deputados de distintos partidos políticos com assento na Assembleia Nacional, num processo que durou cerca de oito meses. O documento tem oito títulos, nomeadamente Princípios Fundamentais, Direitos e Deveres Fundamentais, Organização Económica, Financeira e Fiscal, Organização do Poder de Estado, incluindo os poderes executivo, legislativo e judicial, Administração Pública e Poder Local, as Garantias da Constituição e Controlo da Constitucionalidade e as Disposições Finais e Transitórias. No que diz respeito aos princípios estruturantes, a nova Constituição consagra a democracia pluralista, o carácter unitário do Estado, o respeito pela dignidade da pessoa humana, a supremacia da Constituição e o primado da lei. Com 244 artigos, o documento mantém os actuais símbolos nacionais e assenta numa matriz presidencialista-parlamentar. Aprovada com 186 votos a favor, nenhum contra e apenas duas abstenções, a Constituição da República de Angola traduz mais um passo para a consolidação da nação angolana, o reforço do Estado democrático e de direito e o aprofundamento da democracia representativa e participativa, como afirmou o vice-presidente da bancada parlamentar do MPLA, Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”. O deputado disse que o processo constituinte é um exemplo perfeito da postura do MPLA em relação à participação do povo na vida democrática e acrescentou que o seu partido vela pela salvaguarda da independência dos Tribunais, devendo estes, no exercício das suas funções, sujeitar-se apenas à Constituição e à Lei. “O MPLA é um partido sério, responsável e honra todos os compromissos que assume. É isto que o consolida como fiel representante dos mais nobres interesses do povo angolano e, só por isso, tem merecido a sua total confiança”, disse o deputado. Sem a participação da UNITA, que se auto excluiu da votação, o processo foi validado pelos partidos políticos com assento parlamentar e toda a sociedade civil. Quintino Moreira, presidente da coligação Nova Democracia, felicitou os eleitores angolanos por ter conferido aos deputados o mandato actual para aprovar a Constituição da República de Angola. “Hoje o país inteiro acaba de ganhar um importante instrumento que vai reger a vida do Estado angolano nas mais distintas vertentes da sua gestão política, económica, social e cultural”, reconheceu o deputado. Apesar de ter optado pela abstenção, a FNLA também reconheceu a importância do documento que comporta 244 artigos. O líder da bancada parlamentar, Ngola Kabango, disse ter assistido à “vitória do voto maioritário” e jurou “reconhecer e respeitar a Constituição ora aprovada, porque a mesma é, a partir de hoje, a Constituição de todos os angolanos”.
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